Uma família palestina que estava havia quase uma semana retida no Aeroporto Internacional de Guarulhos obteve liminar na Justiça e foi liberada para ingressar no Brasil na noite de quarta-feira (22/4).
Hani e Etimad Alghoul, acompanhados do filho Kenan, de um ano, desembarcaram no país em 16 de abril, após deixarem a Faixa de Gaza em razão da guerra. O grupo partiu do Cairo, no Egito, com destino à capital paulista, portando visto de turismo válido. Ainda assim, segundo a família, teve a entrada negada e permaneceu em área restrita do terminal.
Fundamentos do pedido
O advogado Willian Fernandes obteve a autorização por meio de habeas corpus com pedido de liminar, protocolado na 6ª Vara Federal de Guarulhos. Na petição, argumentou que a situação configurava, nas palavras da peça, "constrangimento ilegal à liberdade de locomoção, agravado por circunstâncias pessoais de elevada vulnerabilidade".
inexiste possiblidade de retorno seguro à região de origem
A defesa sustentou ainda a ausência de país terceiro disposto a acolher o grupo e solicitou à Delegacia de Polícia Federal no aeroporto esclarecimentos sobre os fundamentos do impedimento, uma vez que o visto de Hani é válido até dezembro de 2026.
Condições de saúde e acolhimento
Etimad está grávida de três meses e apresenta quadro de anemia grave. O filho Kenan também tem condição de saúde considerada delicada. Embora não falem português, o casal conta com rede de apoio no Brasil: a comunidade palestina preparou uma residência para recebê-los, mobiliada com recursos enviados pela própria família a amigos no país. Declaração de acolhimento assinada por Nahla Elrifai integrou o processo.
À reportagem que acompanhou o caso, o advogado confirmou a liberação e informou que a família já se encontra na residência. Em mensagem enviada ao defensor, Hani agradeceu o apoio e afirmou estar "chorando de alegria".


