Uma pesquisa publicada na revista científica Intelligence analisou dados de 394.378 adultos dos Estados Unidos, coletados entre 2006 e 2018, para investigar sinais do chamado Efeito Flynn Reverso — fenômeno associado, de forma simplificada, à ideia de que as pessoas estariam "ficando mais burras".

Do Efeito Flynn ao seu reverso

Ao longo do século 20, testes de inteligência mostraram aumento contínuo nas pontuações médias entre gerações, tendência batizada de Efeito Flynn em homenagem ao pesquisador James R. Flynn e associada a avanços na educação, na saúde e nas condições de vida. Nos últimos anos, parte da literatura científica passou a registrar desaceleração ou inversão dessa tendência em alguns países — o Efeito Flynn Reverso.

O estudo utilizou dados do SAPA Project, com testes do International Cognitive Ability Resource (ICAR), avaliando raciocínio por padrões, sequência de letras e números, raciocínio verbal e rotação mental de objetos em três dimensões, entre participantes de 18 a 65 anos.

Resultados por habilidade

As quedas mais consistentes apareceram no raciocínio por padrões e nas tarefas de sequência de letras e números; o raciocínio verbal caiu em menor intensidade. A capacidade de rotação mental de objetos em 3D, por outro lado, apresentou melhora em parte do período analisado. O padrão de queda foi mais acentuado entre 18 e 22 anos e entre participantes com menor escolaridade.

Os autores reforçam que o estudo não demonstra redução geral da inteligência humana — que envolve memória, criatividade, linguagem e aprendizagem, além do que os testes específicos avaliaram — e que, por ter sido conduzido apenas nos Estados Unidos, os resultados não podem ser generalizados a outros países. Hipóteses como mudanças na educação, no estilo de vida e no uso de tecnologias digitais são cogitadas, mas nenhuma foi comprovada como causa do fenômeno.