Uma investigação da Polícia Federal mira um grupo suspeito de fraudar o Plano de Assistência à Saúde do Serpro (PAS/Serpro). Diferente do padrão em casos assim, foi a própria empresa pública federal que identificou os indícios, reuniu provas e apresentou notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF), pedindo a investigação — o Serpro figura formalmente como vítima e vem colaborando com a PF e o MPF.
Como o esquema foi descoberto
O caso começou a partir de um alerta recebido pelos canais oficiais de atendimento do plano. A partir daí, o Serpro cruzou dados e contatou diretamente os beneficiários, identificando um padrão de irregularidades: procedimentos cobrados mas não reconhecidos pelos pacientes, divergências em assinaturas, sobreposição de solicitações em períodos curtos e uso recorrente de diagnósticos genéricos para justificar tratamentos diferentes.
IA na auditoria e queda na sinistralidade
Diante do risco ao patrimônio do plano, a direção suspendeu preventivamente a liberação de novos atendimentos e bloqueou pagamentos às clínicas envolvidas. Desde dezembro de 2025, o Serpro reestrutura os mecanismos de controle do PAS, com Inteligência Artificial e análise de dados na contra-auditoria financeira, além de trocar a empresa responsável pela regulação do plano.
Os resultados já aparecem: a sinistralidade assistencial — relação entre o que o plano arrecada e o que gasta — caiu de 117% para 88%. Com o caixa mais equilibrado, o Serpro lançou quatro novas opções de planos, com redução de mensalidade que pode chegar a R$ 910 por beneficiário.


