Pesquisadores identificaram um possível mecanismo por trás da resistência ao trastuzumabe deruxtecana (T-DXd), medicamento usado no tratamento do câncer de mama metastático HER2-positivo e HER2-low. O estudo, publicado na revista Clinical Cancer Research, também apontou um alvo terapêutico com potencial para restaurar a eficácia da droga.

Metodologia do estudo

Conduzida por pesquisadores do Houston Methodist e da Texas A&M University, a pesquisa analisou 109 lesões metastáticas coletadas antes do início do tratamento, buscando entender por que parte das pacientes não respondia ao T-DXd mesmo sem características clínicas que indicassem maior risco de falha terapêutica. Marcadores tradicionais não conseguiram prever a resposta ao medicamento.

Os cientistas observaram, nos tumores resistentes, aumento das proteínas S100, que ativam o receptor RAGE. Juntas, essas moléculas desencadeavam sinais que favoreciam a sobrevivência das células cancerígenas e reduziam a ação do medicamento — padrão identificado em diferentes locais de metástase.

Bloqueio experimental restaurou resposta ao tratamento

Ao testar o inibidor oral do receptor RAGE TTP488 (azeliragon) combinado ao T-DXd, a equipe registrou, em células e modelos animais, aumento da morte de células tumorais, restauração da resposta ao medicamento e redução da carga metastática.

Os autores classificam a pesquisa como pré-clínica e afirmam que estudos em pacientes ainda serão necessários para confirmar segurança e eficácia da combinação. Ainda assim, avaliam que a via S100-RAGE representa um novo caminho para enfrentar a resistência ao tratamento do câncer de mama avançado.